Aos 27 anos, Murillo zera Pokémon FireRed

Nunca tive Game Boy, e sei que não é exclusividade minha, apesar de a Nintendo ter divulgado recentemente que foram mais de 100 milhões vendidos no mundo — fora as revendas, né, que é coisa que não se controla. Então muita gente teve acesso ao portátil (seja preto e branco ou colorido), assim como outro punhado de gente, muito maior, não teve. Eu ouvia os menino do curso de inglês, ao qual tive acesso mas ao qual ambiente não pertencia, falar dos pokémon que tinham e dos level que se encontravam e combinarem troca, e pensava, será que isso é possível? Aqueles bicho bonito que eu sonhava ter até de verdade (eu queria ter um squirtle pra tomar banho divertido e um pidgeotto pra avoar por aí, só de boas), que tava lá na TV, que nunca conseguia ver por estudar sempre no horário que a Eliana passava, podiam tá na minha mão? É claro que como criança eu tive várias vontades, e a minha família, na medida do impossível, procurou me atender. Mas tem coisa que tava tão longe que a gente nem sabia se pedia, como pedia, sei lá. Se o vizinho, que era igual a gente, tinha algo que a gente não tinha, aí era diferente.

Então passou uns anos aí, bons, ruins, vários, e eu tava com um celular de bobeira e fui pesquisar e achei emulador de Game Boy Advance (veja só, que avanço) e baixei o emulador e baixei também o tal do Pokémon. E esse Pokémon era bonito que só, e eu descobrindo o jogo, e pensando, marre minino, esse negócio é bom memo hein!? E joguei umas 20 horas e, travando numa parte sei lá por que, parei. Dali um ano só, por aí, voltei a jogar. Dessa vez até o final. Aí a gente volta à infância, mesmo aquela que não vivemos. O que quero dizer é que a alegria que eu senti jogando e terminando Pokemon, e outros, é como se fosse menino, como se tudo fosse mais simples. É só ali, o momento, como dizem, o menino (ou a menina), o jogo e todo o universo dele. Eu nunca tive imaginação suficiente como leitor para adentrar um universo ao qual não pertenço, não pelo menos igual acontece comigo e um videogame. Não importa nem se fiz coisa errada no jogo, se não evoluí os bicho certo, se não colecionei nem metade, sei lá, se nem peguei o maldito ‘fly’ (e daí tinha que andar igual besta pra comprar super potion), se usava só 3 dos meus 6 bicho e nem sabia direito nem me preocupava em olhar na internet todas as forças e fraquezas. Nem importa se só com 27 anos isso aconteceu, mas eu zerei Pokemon FireRed. E agora tô tendo a oportunidade de jogar outros títulos e me divertindo. É uma coisa banal, eu sei, parece nem que a gente tá vivendo e ligando pra realidade do mundo, mas perdoa, que a gente é menino. E deixa a gente ser. Só um pouco que seja. Pode deixar, que eu até levanto sozinho. Só mais 5 minutinho.

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