Falta uma ousadia de SBT no mercado brasileiro de jogos

Quem gosta de ficar ‘hypado’ de graça vendo Youtube já sabe que vem logo menos aí um grande jogo brasileiro com nome em inglês: Raised in Oblivion. E daí fui puxar na memória se tem algum jogo que jogava em alguma época com nome em português. De cara, não achei nenhum. Com mais esforço, pensei nos jogos do Harry Potter, mas esses só ‘tinham’, mesmo que no nosso imaginário, nomes em português, por conta dos livros e filmes. Apertando um pouco mais, pensei em um que nem cheguei a jogar, Mônica no Castelo do Dragão, opa! boa! – mesmo que este use oficialmente a base do Wonder Boy, mais um nome em inglês.

Raised in Oblivion tem no nome, é verdade, o ponto super positivo de formar a sigla RIO, cidade em que o jogo vai se passar. Serve bem pros gringos e pra gente, então. Promete muito e sai em outubro. Outro que já saiu, um tempo atrás, brasileiro e muito bom, também tem nome em inglês: Horizon Chase, inspirado no Top Gear. Até os jogos japoneses chegam no Ocidente e Brasil com nome em inglês. Ah, mas o inglês é língua universal, pipipopopó… tô sabendo. 

Boa parte da cultura que a gente consome vem dos EUA ou é embalada na língua deles. Mas muita coisa, literatura, cinema, TV… é exportada, seja daqui pra fora ou de fora pra cá, com nomes traduzidos. No SBT, a gente cansou de assistir Eu, a patroa e as crianças, Um Maluco no Pedaço, Três é Demais… e até alguns mais ousados como A Garota do Blog. Tem algumas centenas/milhares de filmes como exemplos também, com nomes em português – umas traduções melhores que os nomes originais, outras piores. 

É estranho saber que A Garota do Blog é a tal da Gossip Girl e tem um monte de exemplo que causa maior ou menor estranheza. Mas o estranhamento é relativo, questão de costume. Eu, a Patroa e as Crianças, apesar de longo, soa nada estranho – e parece um seriado diferente de My Wife and Kids. Full House, então, é capaz de você nem associar àquela série antiga das gêmeas Olsen versão bebê.

Hoje em dia o mercado BR de jogos é gigante – mesmo que ainda na fase de (muito mais) importação que exportação. As principais empresas, tirando a Nintendo rs, estão ligadas no Brasil, a ponto de oferecer tradução na maioria dos ‘games’ (que já virou sinônimo de ‘jogo’ pra gente) e dublagem, principalmente nos AAA (também ‘tripou-ei’). A produção nacional tem bastante espaço pra crescer, e vai – quem sabe com o RIO ou com o 171 (nome excelente, pois é número e ao mesmo tempo só faz sentido no BR) como importantes marcos para esse crescimento que todos esperamos. 

Fica a sugestão de mudança menos expressiva, mas de importante simbologia, vejo, de criarmos nomes em português, pros nossos jogos e pros dos outros também. Eu tenho feito esse exercício de tradução livre só por diversão própria. Terminei ‘Joga Largado 5’ outro dia e estou com mais de 40 horas de ‘gameplay’ em ‘Essa Cuestão do Dragão Aí 11’.

Página na Steam do jogo RIO: Raised in Oblivion, com trailer do jogo:

https://store.steampowered.com/app/1340160/RIO__Raised_In_Oblivion/

171:

https://store.steampowered.com/app/1269370/171PrAlpha/?l=brazilian